Data nacional reforça combate ao estigma e às sequelas evitáveis da doença
O Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, celebrado no último domingo, 25/01, marca um momento estratégico para reforçar a conscientização sobre uma doença que ainda registra diagnóstico tardio no Brasil e segue causando sequelas neurológicas e estigmas sociais evitáveis. No Rio Grande do Sul, a Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS) chama a atenção da população para a importância do reconhecimento precoce dos sinais e da busca por atendimento especializado.
De acordo com a primeira secretária da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção Rio Grande do Sul (SBD-RS), Dra. Juliana Santin, a hanseníase é uma doença infecciosa que pode se manifestar inicialmente na pele, mas também compromete nervos periféricos quando não tratada a tempo, podendo ocasionar sequelas irreversíveis. “Os primeiros sinais costumam ser manchas na pele com alteração de sensibilidade ao calor, frio ou dor. Essas lesões, muitas vezes claras ou avermelhadas, na grande maioria das vezes não coçam e não doem, o que faz com que o paciente demore a procurar ajuda”, explica.
Mesmo sendo uma condição conhecida e com tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), o diagnóstico ainda costuma demorar. Segundo a especialista, isso ocorre principalmente pela falta de informação e pelo preconceito histórico associado à doença. “O estigma ainda afasta as pessoas do serviço de saúde. Além disso, por ser uma doença de evolução lenta, os sintomas iniciais acabam sendo ignorados ou confundidos com outras alterações dermatológicas”, destaca.
O cenário nacional reforça a necessidade permanente de vigilância. O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de casos de hanseníase, atrás apenas da Índia, com cerca de 20 mil novos diagnósticos por ano, conforme dados do Ministério da Saúde. Apesar dos números, a boa notícia é que a hanseníase tem cura.
“Com o tratamento adequado, o paciente deixa de transmitir a doença e pode levar uma vida normal. O grande desafio é iniciar o tratamento antes que ocorram danos neurológicos irreversíveis”, ressalta a médica.
A data reforça o papel dos dermatologistas na linha de frente do diagnóstico e do acompanhamento dos pacientes, além da importância da informação como ferramenta para combater o preconceito e promover saúde pública.
Em casos de suspeita, procure um médico dermatologista. Os profissionais habilitados podem ser conferidos no site https://www.sbdrs.org.br/
Redação: Marcelo Matusiak





