Micetomas – Dra. Alice Cardoso Pellizzari

Micetomas são infecções causadas por fungos e bactérias. O primeiro relato escrito do micetoma foi encontrado em livro religioso da antiga Índia, Atharva Veda, sendo mencionado como o “pé de formigueiro”. Mais comumente em membros inferiores (80%) a doença é caracterizada por uma tríade: aumento de volume da área afetada (tumoração), às custas de nódulos, fístulas e seios de drenagem de pus e grãos (aglomerados de estruturas fúngicas e bacterianas). Geralmente ocorre de forma lenta e indolor podendo atingir estruturas profundas como músculos, articulações, fáscias e ossos.

A região atingida tem aspecto duro e lenhoso. Os países de maior incidência são Sudão, Venezuela, México e Índia, mas diversos casos já foram relatados no Brasil onde o principal agente é a bactéria Nocardia Brasiliensis. Ocorrem mais em jovens de 20 a 40 anos, homens e que trabalham em ambiente agrícola, já que os microrganismos se encontram no solo. A infecção pode ocorrer através de ferimentos com espinho, arranhadura com lasca de madeira dentre outros. O diagnóstico é feito através do exame físico feito pelo médico dermatologista e complementado pela biopsia de pele e envio do material para cultura e exame anatomopatológico (visualização da pele lesada no microscópio).

Podem também ser necessários exames de imagem como raio X simples, ecografia, ressonância nuclear magnética e/ou tomografia, para avaliar a profundidade da lesão no tecido. O tratamento é feito com antibióticos ou antifúngicos específicos dependendo do agente causador. Muitas vezes pode ser necessária a cirurgia para retirada do tecido danificado. Após a cirurgia o paciente precisa realizar sessões de fisioterapia para evitar deformidades e incapacidades. Sabemos que existe o risco de desfechos devastadores causados pelos micetomas. Assim, é essencial que tanto a população como os profissionais de saúde estejam informados e preparados para identificar esta enfermidade. O diagnóstico e tratamento precoces possibilitam a cura do paciente, evitando sequelas.

Autora: Dra. Alice Cardoso Pellizzari , dermatologista SBD-RS.

A SBD-RS não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos apresentados na Palavra do Dermato. O artigo apresentado acima é de total responsabilidade do autor.

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