PALAVRA DO DERMATO – A Importância da Dermatoscopia na Dermatologia

A dermatoscopia revolucionou o diagnóstico clínico dermatológico. O melanoma, câncer de pele mais agressivo e potencialmente fatal, apresenta altas taxas de cura se diagnosticado precocemente. Até recentemente, sua detecção baseava-se puramente nas características clínicas, o famoso acrônimo ABCDE (assimetria, bordas irregulares, cores variadas, diâmetro maior de 6mm e evolução/modificação ao longo do tempo). O problema é que, muitas vezes, ao apresentar essas características ele já é avançado o suficiente para disseminar para órgãos internos (produzir metástases). A dermatoscopia, método não invasivo que permite a identificação de estruturas não visíveis a olho nu, proporciona o diagnóstico do melanoma em estágios muito iniciais, quando ainda não seria reconhecido pela simples aparência clínica. Além disso, em pacientes com múltiplos sinais de pele (nevos melanocíticos), as imagens de dermatoscopia podem ser registradas e comparadas ao longo do tempo (dermatoscopia digital). Desta forma, é possível detectar alterações muito iniciais sugestivas de malignidade e reduzir o número de biópsias desnecessárias das lesões que permanecem estáveis.

Apesar de menos graves, os carcinomas representam os tumores cutâneos mais frequentes. A ocorrência de metástases é rara, mas existe um grande potencial de destruição local da pele e estruturas vizinhas, sendo altamente desejável o reconhecimento e tratamento precoce. Uma vez mais, a dermatoscopia se torna fundamental, já que o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermóide possuem achados muito característicos se visualizados por esta técnica. Neste cenário, o exame propicia o diagnóstico de tumores iniciais, o acompanhamento da resposta a tratamentos não cirúrgicos, bem como a detecção precoce em casos de recidiva.

Apesar de o principal emprego da dermatoscopia ser no diagnóstico do câncer da pele, sua aplicabilidade vai muito além. Lesões benignas que podem, eventualmente, ser confundidas com tumores malignos de pele, como ceratoses seborreicas, angiomas ou dermatofibromas são facilmente reconhecidos por este exame. Várias lesões inflamatórias, como o líquen plano, também mostram achados típicos na dermatoscopia. Algumas doenças infecciosas, como a escabiose (“sarna”), tem seu diagnóstico muito facilitado, possibilitando a visualização do parasita na pele.

Por todas essas vantagens que apresenta, o dermatoscópio atualmente é considerado o “estetoscópio do médico dermatologista”.

Autora: Dra. Louise Lovatto – Dermatologista SBD-RS

A SBD-RS não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos apresentados na Palavra do Dermato. O artigo apresentado acima é de total responsabilidade do autor.

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