A importância da avaliação médica do dermatologista previamente ao procedimento estético

A avaliação médica é muito importante antes da realização de um procedimento estético, pois existes alguns riscos e contraindicações que devem ser investigados.
Na anamnese, o médico deve perguntar ao paciente sobre a história prévia ou atual de doenças, de câncer de pele, uso de medicações, infecções prévias ou atuais, alergias a produtos ou medicamentos injetáveis, orais ou tópicos, exposição solar recente e sobre tratamentos estéticos prévios.

Em relação às doenças, algumas podem contraindicar certos procedimentos. Por exemplo: pacientes com miastenia gravis e outras doenças neuromusculares não podem fazer aplicação de toxina botulínica, pacientes com colagenoses ativas não devem aplicar alguns tipos de preenchedores, como os bioestimuladores. O tratamento inadvertido destas condições, podem exacerbar os sintomas destas doenças. A própria diabete, quando não controlada, pode aumentar o risco de infecção e diminuir a capacidade de cicatrização, após peelings, aplicações de lasers ou procedimentos cirúrgicos. Certas doenças dermatológicas, como o vitiligo e a psoríase, podem evoluir após procedimentos que provocam dano à pele, pelo fenômeno conhecido como Köebner.

Outra questão que traz forte preocupação entre os dermatologistas é o câncer de pele, que é o tipo de câncer mais frequente no nosso país e, principalmente, no nosso estado. Em torno de 10% dos cânceres de pele são do tipo melanoma, sendo que a sua incidência está aumentando no mundo todo. Este câncer é potencialmente fatal quando não tratado precocemente de forma adequada. A presença de um câncer de pele na área do tratamento estético é uma contraindicação ao procedimento. “Há casos de pacientes que fazem sessões de lasers ou outros tratamentos estéticos com profissionais não-médicos em regiões que apresentam câncer de pele, o que atrasa o diagnóstico e piora muito o prognóstico”. A aplicação prévia destas tecnologias altera as características da lesão ao exame dermatológico, dermatoscópico e também anatomopatológico. Por isso, a avaliação dermatológica prévia ao procedimento estético é uma oportunidade que o paciente tem para fazer o diagnóstico precoce do câncer de pele, tratando adequadamente, para ficar curado.

Algumas medicações podem aumentar o risco de sangramentos e hemorragias durante o procedimento estético e o risco/benefício do procedimento deve ser avaliado por um médico, pois muitas vezes os pacientes têm contraindicação formal de suspender tais medicações, como os anticoagulantes em pacientes com alto risco cardiovascular.

Algumas infecções não tratadas que cursam com imunodepressão devem ser avaliadas antes do procedimento, pois aumentam o risco de complicações e infecções oportunistas após os procedimentos, o que agrega maior risco de complicações, como cicatrizes e deformidades. Pacientes com história de herpes redicivante devem receber prescrição médica de antivirais previamente aos procedimentos. Infecções virais, como o herpes e as verrugas, se não diagnosticadas e tratadas previamente aos procedimentos podem ser disseminadas em toda área tratada. Também contraindicam os procedimentos estéticos a presença de infecções bacterianas em qualquer local da pele, como “espinhas”, foliculites, furúnculos e impetigo.

A história de alergia a produtos ou anestésico deve ser avaliada, pois os pacientes podem ter reações aos produtos aplicados na pele nos tratamentos estéticos, sendo que a consequência mais grave é o choque anafilático. Este pode ocorrer após qualquer produto injetado na pele, como por exemplo os anestésicos locais e preenchedores. Por isso, existe uma recomendação do Conselho Federal de Medicina (resolução 2.153/2016) que orienta aos profissionais médicos que realizam anestesia local ou procedimentos com risco de reação alérgica grave a terem todo o material necessário para a reanimação cardiovascular no consultório, inclusive desfibrilador e oxigênio.
A exposição solar recente também deve ser avaliada previamente à aplicação de lasers e outras tecnologias, pois existe algumas contraindicações, aumentando muito o risco de queimaduras e cicatrizes. Os dermatologistas têm atendido um número incontável de queimaduras por tecnologias utilizadas por profissionais não-médicos para depilação ou rejuvenescimento.

Alguns tratamentos estéticos prévios, como a aplicação de preenchedores definitivos, como o metacrilato, contraindicam outros tratamentos, como, por exemplo a aplicação de ultrassom microfocado. Esta última tecnologia está sendo muito utilizada na atualidade para o tratamento da flacidez, inúmeras vezes em pacientes que não informam a presença do material definitivo de preenchimento no interior da pele. Estes preenchedores definitivos também podem reagir ou infectar após a aplicação de novos preenchimentos, causando quadros inflamatórios recorrentes de difícil tratamento, que podem provocar deformidades faciais.

No exame físico prévio ao procedimento estético os dermatologistas devem avaliar a presença de algum sinal ou lesão de pele característicos de doenças cutâneas que contraindiquem o procedimento, assim como descartar a presença de lesões pré-malignas, câncer de pele ou infecções.

Portanto, previamente à realização do procedimento estético, principalmente o invasivo, é muito importante a avaliação médica completa que envolve anamnese e exame físico, para diagnóstico das possíveis contraindicações ao procedimento. A prescrição médica do preparo ao procedimento deve minimizar os riscos de complicações e danos indesejados ao paciente.

Autora: Dra. Taciana Dal’Forno Dini – Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional RS (SBDRS); Coordenadora do Departamento de Laser e Tecnologias da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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